Você já ouviu falar na teoria dos jogos? A teoria dos jogos é uma área da matemática e da economia que estuda como as pessoas, as empresas e os países tomam decisões quando o resultado delas depende não somente do que elas fazem, mas também do que o outro faz. Então não é sobre jogos de tabuleiro, é sobre decisões estratégicas em situações de conflito ou cooperação. Foi desenvolvida, então, por um matemático chamado John Nash, essa teoria, que é aquele do filme Uma Mente Brilhante, e ela é usada hoje por governos, por exércitos, bancos centrais e grandes corporações.
A ideia dessa teoria é muito simples. Antes de agir, um jogador racional pensa no que o outro vai fazer em resposta, e aí depois pensa no que vai fazer em resposta a essa resposta. É como se fosse um jogo de antecipação em cadeia. O exemplo mais famoso da teoria dos jogos é o dilema do prisioneiro, onde tem 2 suspeitos que são presos separadamente e cada um tem a escolha de trair o outro ou ficar em silêncio. Se os 2 ficam em silêncio, os 2 saem quase livres.
Se um trai e o outro não, o que traiu sai livre e o outro pega a pena máxima. Se os 2 trairem ao mesmo tempo, os 2 pegam pena média. O problema é que, individualmente, a lógica racional leva os 2 a trair, mesmo que o resultado coletivo ótimo fosse os 2 ficarem em silêncio. Isso é o que os economistas chamam de equilíbrio de Nash, o ponto onde nenhum jogador tem incentivo para mudar de estratégia, dado o que o outro está fazendo.
Agora, se aplica isso a uma guerra, cada país 1 jogador, cada decisão, tacar, recuar, negociar, escalar, tem um custo 1 benefício. E o resultado final não depende só do que você decide, depende do que o outro decide em resposta ao que você decidiu. Então é um tabuleiro gigante, com múltiplos jogadores, onde cada movimento muda o jogo para todo mundo.